e shtunë, 16 janar 2010

Adriano Menezes




Poeta e contista. Nasceu em 1º de março de 1965, em São Vicente de Minas, Minas Gerais, Brasil. Morou em diversas cidades, trabalhou em várias corporações, foi metalúrgico, ferroviário , chofer de táxi. Estuda filosofia na Universidade Federal de Ouro Preto/MG. Autor dos livros: - Dois Corpos (Editora Etfop-1999), Os dias (Scriptum Livros-2004) e Via expressa (Scriptum Livros e Anome Livros-2007), entre produções independentes. Figurou nas antologias A poesia belorizontina contemporânea (Revista Dimensão-2000), O Achamento de Portugal (Anome Livros e Fundação Gulbenkian-2005), Pelada poética (Scriptum Livros-2006), Terças poéticas (Secretaria de Estado de Cultura de Minas Gerais), Dezfaces (2006/2007), Poesia revista (Scriptum Livros-2008). Anda lendo e falando em eventos literários. Mantém o blog http://adrianomenezesalgumacoisa.blogspot.com/



Adriano Menezes
osdiasdeabril@yahoo.com.br







CALIGRAFIA

Passo de ônibus
pelo Arquidiocesano
(haja igreja em
Ouro Preto).
Muitos fazem, ainda
que em desequilíbrio, o
sinal-da-cruz.

por outro lado,
o meu tê sempre foi
uma simples cruz, sem
rebuscos. Por isso escrevo
ateu com um crucifixo
no peito da palavra.

Acho que ninguém
pensa que cruz
é uma máquina de tortura
com dois tês fincando
o pecado nos transeuntes.



SINGER MANFG. CO

em seu disfarce preto
o metal ignorado
guardava engrenagens
nos tornos do corpo
ora sinuoso ora frio

iscada a linha descia
à carretilha emagrecendo
                 o retrós

o tempo revogado
sígnico em seus novelos
é quase retrátil
dano visual
que no desmanche
ficou cheiro

do velho ferro do pedal
do pé de mãe
do pano





NOTURNO

é sábado e fora
da minha boca
a tua boca
habita o mundo
é sábado lá fora

foram pisar
o mundo pretendido
por dentro da noite
firmá-lo no corpo

aponto passagens
na estrutura de fumaça
acerca da língua
fenda de teus lábios

moldura e porta
lados do espasmo
a forjar a neutralidade
da taramela

que reúne as madeiras
e tranca o grito em casa







NO MEU CASO (fragmento)

1

Lembrar você no meio do dia
é lembrar a carne e um espírito
meu fazendo raso o peito.
Desvio teimoso, alma
assoreada despejada curta
no encontro arenoso da lida
real mista no dia fantasma.
Ouvir a voz de deus melando
os quadris como um terceiro
lábio propondo a fala em braile
diante da porta de ferro e a farpa
delirante, fenda pingando
entre estranhos ares: o corpo
da mulher de deus estendido
no silêncio negro do amor
sem mim, condicionando
o gancho podre dos encontros
a outro beiço, que beija a lua.







VICINAL (Poetas ao volante)

o quanto corro
é a existência do carro
enquanto aquilo
que é tempo desmancha-se
refazendo-se em mim
animal conversível
dentro do vento

1 comments:

Viviana Abnur said...

Bellos poemas, Adriano
abrazo!